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terça-feira, 9 de maio de 2017

Pelo fim dos estaduais - parte II

Tomando como base o campeonato carioca (quase todos são deficitários e ofensivos aos clubes), o estadual é um torneio que só traz prejuízo.

Flamengo e Fluminense jogaram 17 jogos do campeonato falido. Vasco jogou 15 e o Botafogo 14. A final do Falidinho 2017 teve renda de R$ 3.242.130,00. Fla e Flu ficaram com R$ 522.018,27 cada, sendo que o Flamengo teve penhora e o custo do anti-doping, sobrando R$ 437.035,53. Ou seja, de uma renda de mais de 3 milhões, os times, protagonistas do espetáculo ficaram com pouco mais de 1 milhão. Dos mais de 2 milhões retirados dos clubes, a FERJ ficou com 313.693,00, ou seja, praticamente 10% da renda BRUTA. E qual a importância da FERJ no espetáculo? A FERJ não serve nem para pagar a COOPAFERJ (Cooperativa de Árbitros de Futebol do Rio de Janeiro) e nem as taxas para Delegado e ouvidor do jogo. São despesas para além do que a Federação tunga dos clubes (R$ 21.428,55 e R$ 3.200,00 respectivamente, além do INSS de ambos. 15% e 20% respectivamente).

O lucro para não fazer nada é gigantesco. 313 mil reais e nenhuma responsabilidade, nenhuma atuação em benefício do futebol carioca e um presidente de comissão de arbitragem que justifica todos os "erros" absurdos de seus árbitros (mas isso é tema para a Parte III).

Com jogos absolutamente inúteis, sem nenhum apelo aos torcedores, em gramados esburacos, em horários estúpidos e com a permanente suspeita em cima da arbitragem, o resultado financeiro dos clubes não poderia ser diferente. Em levantamento feito pelo Jornalista Vitor Sérgio do Esporte Interativo e postado por ele no twitter, vemos prejuízo de mais de 1 milhão para o Botafogo, prejuízo de mais de 500 mil para o Vasco, Flu tendo pouco mais de 300 mil de lucro (salvo pela final), o Flamengo com pouco mais de 1,2 milhão de lucro e a FERJ com lucro de mais de 1,5 milhão.

Ou seja, Botafogo e Vasco pagaram para jogar no campeonato desnecessário da FERJ. Flu e Fla tiveram lucro mas que não paga a folha salarial de 1 mês do elenco (o torneio durou 3 meses). E a inútil e desnecessária FERJ embolsou 1,5 milhão para seguir destruindo o futebol carioca (os clubes também são culpados pois não rompem com ela).

Quem paga Diego, Sornoza, Luis Fabiano, Montillo não pode jamais se submeter a essa situação. Comprometem o ano financeiro dos clubes para manter uma massa falida como são os estaduais.

Veja abaixo a postagem do Vitor Sérgio (@vitorsergio).
#PeloFimDosEstaduais



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Pelo fim dos estaduais - parte 1

Os campeonatos estaduais são um estorvo no calendário do futebol brasileiro. Ocupam 3 meses com jogos inúteis, deficitários, em gramados que mais parecem pastos, com regulamentos estúpidos e lesionando jogadores importantes, lesando os clubes que investem milhões para tê-los. É o caso, por exemplo de Gustavo Scarpa, do Fluminense. Lesionado por um jogador do Madureira, não atua desde o sábado de carnaval.

Scarpa é atingido por Douglas Lima no pasto de Los Larios. Foto: Globoesporte.com
Esses torneios só têm um beneficiado e engana-se quem pensa que é o clube que se sagra campeão. Só há benefício para as Federações que lucram, am alguns casos, mais que todos os clubes juntos. O campeonato carioca é o maior exemplo disso. Enquanto a FERJ que não tem nenhuma relevância no espetáculo do futebol ganha milhões, os clubes amargam prejuízos cavalares de bilheteria. A tétrica Federação leva 10% da renda bruta de cada jogo. Se houver prejuizo no final, problema dos clubes. A FERJ já levou o dela. 

Muitos dizem que a salvação dos pequenos clubes é o estadual. Um grande engano. Os estaduais são a morte dos pequenos clubes de futebol pois jogam por menos de 3 meses e depois demitem todo mundo, pois só terão atividade de novo em janeiro do ano seguinte. Onde estão os tradicionais São Cristóvão (campeão carioca de 1926), Campo Grande, Olaria, Goytacaz ou Americano, por exemplo? Pior! Onde está o 7 vezes campeão carioca, o América?

A melhor solução é colocar esses torneios como divisão menor do campeonato brasileiro. Ou seja, a Série D (ou E) seria estadualizada, com 12 times, que jogariam em turno e returno (22 jogos) e os 2 primeiros de cada estado jogariam playoffs até termos os 4 que subiriam para a Série C (ou D). A segunda divisão dos estaduais passariam a ser a Série E (ou F) nos mesmos moldes. 

Dessa forma os clubes menores teriam a garantia de jogar 22 jogos no ano (hoje, dependendo do estadual jogam apenas 10) e poderiam se planejar melhor. Além disso, os grandes e médios não precisariam perder 3 meses no calendário, que poderia ser adequado ao calendário mundial com o brasileirão começando em agosto e terminando em maio. Isso permitiria que os clubes brasileiros pudessem faturar com torneios de verão dos times europeus jogando contra Barcelona, Real Madrid, Milan, Manchester, etc. Além, claro, de não perder jogadores em janelas de julho, hoje, no meio do campeonato brasileiro.

Chega de torneio deficitário, chega de campo esburacado, chega de amadorismo.

#PeloFimDosEstaduais

sábado, 1 de agosto de 2015

A salvação do futebol brasileiro e o fim dos estauais

Torneios estaduais provocam desemprego após 15 jogos

Na noite de ontem, na Espn Brasil, houve um debate acalorado entre os jornalistas Paulo Calçade e Antero Greco sobre a estrutura do futebol brasileiro. Cada um com suas idéias, argumentos e razões. Ambos estavam certos nas suas assertivas. Calçade ao afirmar que esse modelo está podre e Antero na preocupação com a tradição dos pequenos clubes. Na verdade, ambos falavam a mesma coisa mas de maneira diferente.

A primeira questão é a existência dos estaduais. Antigamente eram os campeonatos mais importantes do país mas, com o tempo, foram perdendo importância e, hoje, são pesos mortos no calendário dos clubes. Não vale sequer o argumento de que esses torneios mantém os pequenos. Ele, o argumento, é mentirosos pois os estaduais matam os clubes pequenos que é o que vemos por aí. Por onde andam  São Cristóvão, o Olaria, o Goytacaz, o Campo Grande, o XV de Jaú, por exemplo?



Os estaduais servem apenas como manutenção de poder pelas federações. Jogos deficitários, sem público, sem iluminação e muitas vezes até sem grama fazem parte do show de horrores de torneios que sequer prezam pela credibilidade, vide o Euricão 2015. Ao fim dos torneios, mais da metade dos clubes simplesmente para de existir, demite todo o departamento de futebol e espera o próximo ano. Esse modelo assassinou os pequenos clubes do Brasil. Assassinou inclusive um campeão brasileiro, o Guarani.

Mas acabar com os estaduais simplesmente não resolve pois isso oficializaria o fim dos pequenos e o desemprego de 20 mil pessoas entre jogadores, comissão técnica, roupeiros, aparadores de grama, etc. Transformar esses torneios em uma série E, regionalizada, jogando o ano todo faria com que esses clubes se mantivessem o ano inteiro em atividade é uma solução atrativa. Além disso, a Copa do Brasil poderia ser disputada por todos, durante o ano inteiro com os clubes das séries A e B entrando nas fases mais avançadas.

Mas, será que isso interessa? A Globo, proprietária do futebol no Brasil já demonstra que não está interessada no fortalecimento do futebol. Pensa apenas em fortalecer Flamengo e Corinthians para salvar sua audiência, cada vez menor.Há um projeto de lei na Câmara que obriga a divisão justa da verba de TV, com 50% igual para todos, 25% por audiência e 25% por colocação no campeonato anterior. Como seria bom se a Câmara dos Deputados fosse uma casa séria!

O fato é que é necessário mudar a estrutura do futebol e isso é o mais difícil pois o poder político no futebol está aliado ao poder financeiro e o dinheiro rola solto, inclusive em forma de mesada que a CBF paga a federações. A MP671 avançou em vários pontos mas ainda não conseguiu demolir essa forma de poder. É um caminho longo, árduo, mas que precisa ser trilhado para que clubes tradicionais como Guarani, Portuguesa, América-RJ, Bangu, Ferroviário, entre outros não agonizem.