A campanha de Rafael Nadal (ESP) para o título:
1ª rodada (R128) - def. Benoit Paire (FRA) 6-1, 6-4, 6-1
2ª rodada (R64) - def. Robin Haase (NED) 6-1, 6-4, 6-3
3ª rodada (R32) - def. Nikoloz Basilashvili (GEO) 6-0, 6-1, 6-0
Oitavas (R16) - def. Roberto Bautista Agut (ESP) 6-1, 6-2, 6-2
Quartas (QF) - def. Pablo Carreno Busta (ESP) 6-2, 2-0 ret.
Semifinal (SF) - def. Dominic Thiem (AUT) 6-3, 6-4, 6-0
Final (F) - def. Stan Wawrinka (SUI) 6-2, 6-3, 6-1
10 vezes Rafael Nadal. E dessas dez conquistas essa foi a mais tranquila e dominante do espanhol. Em 2017 Nadal mostrou que deu a volta por cima após as lesões, fez final no Australian Open, uma grande temporada de quadras rápidas, dominante no saibro onde até 2014 era quase missão impossível derrotá-lo, nos últimos dois anos tinha caído um pouco o nível, mas esse ano voltou com tudo novamente, títulos em Monte Carlo, Barcelona e Madrid, chegando a Roland Garros como favorito mais uma vez e confirmou com maestria. Não vencia por lá desde 2014 e por isso "La Décima" foi tão especial. Antes da semifinal não tinha nenhum adversário a altura, atropelou todos, até enfrentar Dominic Thiem, o jovem austríaco vem fazendo uma grande temporada e tinha vencido o espanhol semanas atrás em Roma, mas não foi páreo, mais um atropelo de Nadal. Na final, um confronto com Stan Wawrinka, que nos Grand Slams sempre joga bem, foi campeão em Roland Garros em 2015 e ganhou as três vezes que chegou na final de Grand Slam. Porém o nível de jogo, foco, concentração do espanhol estava tão elevado, que Nadal não deu chance, poucas vezes errava, estava uma "parede" e o suiço perdido, acabava errando várias vezes por impaciância, até quebrou a raquete. Não foi páreo. Mais um título de Nadal, que pela terceira vez ganhou Roland Garros sem perder nenhum set e na campanha o máximo de games que perdeu em um único set foi quatro(!!!). É impressionante, de outro mundo. Com a campanha do décimo título em Paris, Rafael Nadal aparecerá como número 2 do mundo na próxima atualização do ranking da ATP.
A campanha de Jelena Ostapenko (LAT) para o título:
1ª rodada (R128) - def. Louisa Chirico (USA) 4-6, 6-3, 6-2
2ª rodada (R64) - def. Monica Puig (PUR) 6-3, 6-2
3ª rodada (R32) - def. Lesia Tsurenko (UKR) 6-1, 6-4
Oitavas (R16) - def. Samantha Stosur (AUS) 2-6, 6-2, 6-4
Quartas (QF) - def. Caroline Wozniacki (DEN) 4-6, 6-2, 6-2
Semifinal (SF) - def. Timea Bacsinszky (SUI) 7-6(4), 3-6, 6-3
Final (F) - def. Simona Halep (ROM) 4-6, 6-4, 6-3
A chave feminina de Roland Garros foi uma das mais imprevisíveis dos últimos tempos. Sem as presenças de jogadoras como Serena Williams, Maria Sharapova e Victoria Azarenka, abriu-se a possibilidade para uma nova jogadora campeã de Grand Slam. E ela apareceu e também de forma imprevisível e surpreendente: Jelena Ostapenko
A jovem jogadora letã de apenas 20 anos chegou em Roland Garros como a número 47 do mundo, não era cabeça-de-chave, mas com uma velocidade de bola fora do comum no tênis feminino, um jogo super agressivo, faz muitos winners quanto erros não-forçados, foi ganhando confiança jogo a jogo e surpreendendo todo mundo. Derrubou a campeã olímpica Monica Puig, a experiente Samantha Stosur e a ex-número do mundo 1 Caroline Wozniacki como destaques antes de chegar na decisão. Na final enfrentou a romena Simona Halep, número 4 do mundo, que vinha confiante de boas campanhas no saibro (título em Madrid e finalista em Roma), buscava seu primeiro Grand Slam e caso ganhasse a final se tornaria a nova número 1 do mundo. Mas faltou combinar com a Ostapenko. A jovem letã buscou uma virada que parecia improvável, perdeu o primeiro set e chegou a ter quebra atrás nos dois sets seguintes, mas mostrou confiança no seu jogo pra reverter a situação e surpreender o mundo do tênis com esse improvável título. Com a "campanha dos sonhos", Ostapenko agora vai aparecer como a número 12 do ranking da WTA.
Curiosidades:
- Foi o primeiro título da Letônia em Grand Slams
- Jelena Ostapenko nasceu no mesmo dia da primeira conquista de Gustavo Kuerten, o nosso Guga, em Roland Garros (08/06/1997). Vinte anos depois fazendo aniversário, Ostapenko vencia Timea Bacsinszky na semifinal e chegava a sua primeira final de Grand Slam.
- Assim como Guga, que na época do primeiro título de Roland Garros, conquistava seu primeiro título nível ATP, Ostapenko também ganhou seu primeiro título nível WTA em Paris. Muitas coincidências não?
O que era realmente preciso pra um jogador como Novak Djokovic se tornar uma lenda e definitivamente ser lembrado para sempre? O título de Roland Garros, o único que faltava a ele dos quatro Grand Slams. E depois de tantos tentar, três vice-campeonatos, ele finalmente veio nesse último domingo. O "trauma" tinha acabado, Djokovic completava o Carrer Slam (detentor dos 4 títulos de Grand Slam) e com a conquista outros recordes apareceram: 12 títulos de Grand Slam (igualado com Roy Emerson) e detentor dos últimos 4 títulos de Grand Slam (a última derrota foi para Stan Wawrinka em Roland Garros do ano passado).
A CAMPANHA
Quando o sorteio das chaves saiu aparentemente Djokovic iria chegar sem maiores problemas até a semifinal quando teria o confronto contra Rafael Nadal. E realmente foi, pelo menos nas três primeiras rodadas o sérvio não precisou jogar o seu melhor pra passar de fase. Aí veio a segunda semana e com ela, a surpreendente notícia da desistência de Nadal alegando dores no punho, então com isso a chave de Djokovic abriu ainda mais pra chegar na final. O que mudou também nessa segunda semana foi o clima em Paris, muita chuva que deixou as quadras mais pesadas, jogos paravam, voltavam, eram cancelados, etc. Isso foi bastante sentido por Djokovic no jogo das oitavas contra Roberto Bautista Agut, onde ele estava bastante desconfortável em quadra, principalmente no saque sendo quebrado várias vezes, chegou a perder o primeiro set, mas teve calma e paciência pra reverter a situação, o jogo acabou só no dia seguinte por conta das condições climáticas em Paris.
No jogo das quartas-de-final contra Tomas Berdych aparentemente tudo ia bastante tranquilo, Djokovic tinha 2 sets a 0, mas no início do terceiro set em um erro não-forçado o sérvio se irritou, jogou a raquete e ela foi pra trás e quase pegou no juiz de linha, que por sua vez desviou pra não pegar nele. Já vimos outros casos parecidos em que o jogador não tinha intenção de fazer isso, mas se acertasse a raquete em alguém (juiz de linha, na torcida, etc) era desclassificado. Esse foi o momento de sorte de campeão. Esse realmente era o ano do primeiro título de Djokovic em Paris.
Na semifinal Djokovic tinha o desafio de enfrentar Dominic Thiem, um jovem que vem em uma crescente gigante nesse ano e que com a campanha entrou no top 10 do ranking mundial, mas que ainda está em um patamar abaixo desses "monstros" (Djokovic, Murray, Federer e Nadal). Mas vale ficar de olho no garoto, se trabalhar bem pode conseguir chegar nos mesmos passos deles um dia. Djokovic passou sem maiores problemas, 3 sets a 0, e era tudo o que ele precisava pra chegar descansado na final, já que jogou em dias seguidos por conta da chuva em Paris.
Chegou o dia da final e mais uma oportunidade para Djokovic ganhar Roland Garros. O adversário era Andy Murray, adversário em que ele venceu muito mais do que perdeu, mas que no último confronto entre os dois na final do Masters 1000 de Roma semanas antes, o britânico tinha levado a melhor. Simplesmente número 1 contra número 2 em quadra. Djokovic demorou a "entrar" no jogo, pois no primeiro set estava bastante nervoso e Murray muito mais "vibrante", isso até o começo do segundo set quando no segundo game, Murray cometeu uma dupla-falta e perdeu o saque. Ali o jogo tinha mudado e Djokovic um outro jogador, dominou sem grandes dificuldades até o 5-2 do quarto set. Com a proximidade do tão sonhado título, aquele nervosismo inicial voltou, o sérvio foi quebrado e precisou sacar outra vez no 5-4 para fechar, onde teve 40-15, Murray salvou os dois match-points, mas na terceira oportunidade, finalmente aconteceu, Djokovic era campeão de Roland Garros.
O CORAÇÃO
O nosso Guga esse ano foi um dos motoristas do Road to Roland Garros (uma entrevista bem divertida com algumas das estrelas do circuito durante o percurso) e em uma dessas caronas, Djokovic foi um dos passageiros. E sabemos quando se trata dos dois, sobra carisma! Nisso veio a história do coração, Djokovic falou a Guga que um dos momentos mais memoráveis de Roland Garros foi quando Guga tinha desenhado um coração na quadra após uma vitória incrível e assim pediu permissão a ele se podia repetir o gesto, caso conquistasse o título em Roland Garros e Guga deu a permissão. O gesto foi cumprido e que cena foi essa, com certeza deu aquela lembrança a todos os brasileiros!