domingo, 15 de outubro de 2017

Uma vitória fundamental

Vitória sobre o Avaí afasta o Fluminense do Z4


Não tinha a menor necessidade de ser sofrido como foi. Não tinha a menor necessidade de escalar Renato e Marcos Junior. Mas a vitória sofrida sobre o Avaí foi fundamental para o Fluminense escapar da Série B.



A postura do time foi muito importante. Desde o início indo pra cima, marcando alto e tentando criar as oportunidades. Não foram muitas as criadas. Gustavo Scarpa ainda não consegue ser o mesmo do início do ano e tem individualizado demais algumas jogadas. Richard dominou a frente da zaga e Marlon fez uma partida irretocável.

O time começou mal escalado, como quase sempre. É um risco desnecessário escalar Renato e Marcos Junior. Juntos então é uma temeridade. Mas foi assim que o Fluminense começou. Marcos Junior corria pra todos os lugares e pra lugar nenhum. Renato não corria pra canto nenhum, não marcava, não apoiava, não cruzava. Mas o Fluminense tinha outros 9 que seguraram as pontas.

O gol que ninguém sabe ainda se foi dado para o Henrique Dourado ou não mas que no coração da torcida sempre será, parecia que daria uma tranquilidade e que o placar aumentaria naturalmente. Não foi o que aconteceu. No segundo tempo, o técnico do Avaí adiantou suas peças e, mais uma vez, Abel não soube reagir. Teve que fazer duas mexidas por lesão e cansaço (Gum e Renato) e na única que pode pensar, colocou o garoto Matheus Alessandro no lugar do Marcos Junior. Ou seja, não mudou em nada o estilo de jogo, não respondeu às mudanças do Claudinei e o time perdeu posse de bola.

No final, bolas perdidas (sempre pelo Matheus Alessandro) e faltas que permitiram ao Avaí lançar a bola em nossa área. Mas o miolo de zaga se comportou bem (destaque para Reginaldo, muito seguro) e o Fluminense conquistou uma vitória importantíssima para termos um fim de ano tranquilo. Ainda faltam 10 pontos.

Destaque negativo, mais uma vez, para a torcida do Fluminense. Apenas 16 mil pagantes. A diretoria fez o que a torcida pediu, colocou o ingresso a 20 reais (10 reais a meia) e a torcida não comparece, não ajuda. Destaque para os 18 mil presentes, sobretudo aqueles que estavam na Sul e não pararam de cantar um segundo sequer. Se tenho um sonho na vida é ter, todo jogo, 40 mil ou mais com essa postura e não com o ataque de pelanca de não apoiar o time por politicagem barata.

Estamos vivos, precisamos vencer na quarta e precisamos de cada tricolor do Rio e Grande Rio. Se não gosta do Presidente, do técnico ou de algum jogador isso agora pouco importa. É hora de tirar a bunda do sofá, ir ao Maracanã, cantar 90 minutos, empurrando o time para uma vitória que não virá facilmente.

Eu vou viajar 600km para ver o FLU na quinta. E você?

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Na crise Abel x Wendel tem de tudo. Menos liderança.

Ao expor Wendel na imprensa, Abel mostra outra faceta: a falta de liderança

Após o empate contra o Flamengo por 1x1 no Maracanã, o técnico do Fluminense, Abel Braga, deu sua entrevista coletiva. Irritado, interrompeu a pergunta de uma jornalista sobre a situação de Wendel e disse em tom de autoridade: "Eu tirei". Se parasse por aí, estaria tudo ok. O técnico tem a prerrogativa de escalar quem ele achar melhor e, se houve indisciplina, ficou nos bastidores e segue o jogo.



Mas não parou por aí. Abel, que faz um péssimo trabalho a frente do Fluminense, expôs o garoto de 20 anos a todo o Brasil e disse porque o barrou. E repetiu. E repetiu. E repetiu. Claramente LIDERANÇA não é uma característica de Abel Braga como eu achava que fosse. Sempre o defendi nesse quesito porque parecia que, por mais que os torcedores quisessem que ele falasse mal de jogadores, ele não o fazia. Por média ou por entender o papel de um líder, ele estava certo.

A premissa básica de um bom líder é a de que o elogio é PÚBLICO e a bronca é PRIVADA. Um líder não expõe um liderado nem para os colegas, muito menos para o público externo. No futebol, movido a paixões muitas vezes exacerbadas, é ainda mais grave. No Brasil, com o desejo de justiçamento cada vez mais forte, muito mais grave.

O prejuízo da exposição é do Wendel. Mas também é do clube pois Wendel é um ativo de mais 10 milhões de euros. E poderá vir a ser do próprio Abel. Como ficarão as cabeças de outros jogadores? Se Abel expôs Wendel publicamente pode fazer com qualquer outro que, na visão dele, cometa um erro.

Também não cabe culpar a imprensa. Ela fez o papel dela. As fontes disseram que havia um problema de indisciplina e ele foi divulgado no início do jogo pelo narrador Luiz Carlos Junior. O que pode ser colocado como erro da imprensa é não buscar a palavra do jogador pois a fonte fica escondida e o jogador foi exposto.

Essa atitude descabida de Abel Braga não é um "privilégio" do treinador do Fluminense. Raros são os casos que isso não acontece. No esporte brasileiro o caso mais emblemático foi o corte do levantador Ricardinho em 2007. Bernardinho nunca disse o motivo do corte, nunca expôs o jogador. Mesmo com as críticas levianas de que o teria feito para convocar seu filho, Bruninho. 

Os motivos do corte só foram revelados quando saíram os livros de Giba, Serginho e do próprio Ricardinho. Neles ficou claro que o levantador "passava do ponto" nas reuniões. Rodrigão chegou a dizer que Ricardinho estava certo no que dizia mas na forma como fazia. Aquilo trazia problemas para o grupo O que sabemos é por conta dos jogadores, nunca por uma exposição pública do técnico.

Não há equipe que resista a um mau líder. Uma vez quebrada a confiança no líder, já era. Não tem volta. Quem correrá por um líder que tira o dele da reta em um momento de resultados ruins e metas não alcançadas? Que Abel aprenda a resolver as crises internamente, que o clube desautorize jogadores a falarem sobre o assunto com a imprensa e que Wendel foque em sua carreira que está começando mas que pode acabar mal se ele seguir se afastando dela por má orientação.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Argentina vai a Copa e já tem novo hit

A Copa do Mundo da Rússia não poderia ficar sem Messi, sem a Argentina. Não ficará.



E a torcida Argentina já pode adaptar o hit da Copa de 2014 para 2018



Rusia, decime que se siente
Tener en casa a tu papá
Te juro que aunque pasen los años
Nunca nos vamos a olvidar
Que el Burruchaga te gambeteó
Que Troglioi te vacunó
Que estás llorando desde Italia hasta hoy
A Messi lo vas a ver
La copa nos va a traer
Maradona es más grande que Yashin

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Pedir a saída de Pedro Abad é idiotice

O futebol é movido a paixão mas não podemos colocar a inteligência de lado

Após cada revés, os torcedores (seja o time que for) elegem os culpados. E a eleição é puramente emocional. Se gostam do treinador, a culpa é dos jogadores. Se não gostam do treinador, a culpa é dele. E sempre a culpa é também da diretoria.

E não seria diferente nesse momento desesperador pelo qual passa o Fluminense. Sua torcida adora ser bajulada e frases como "aqui eu me fiz homem" ou "eu amo esse clube" faz com que boa parte da torcida não consiga ver o que de fato acontece. Parte dela atribui a pouca idade dos jogadores, outra parte culpa a diretoria pelo "elenco ruim".

Seja uma ou outra a "explicação", não são verdadeiras. A média de idade dos jogadores que atuaram contra o Grêmio foi de 24,14 anos. É uma média, por exemplo, maior que a do time campeão carioca de 1983 (23,45 anos). Já a "ruindade" do elenco é outra farsa. Temos um bom goleiro (sacado do time absurdamente), um meio-campo cobiçado pela Europa e o artilheiro do campeonato. Se o elenco não é estelar, também não é dos piores do campeonato. O problema do Tricolor é sobretudo tático.

Foto: Hermes de Paula - O Globo
A radicalização nas redes sociais leva parte dos torcedores tricolores a pedir a saída do Presidente Pedro Abad. Quando os contrapomos, dizem que Abad é ruim porque não contrata e adora vender jogador. Sabemos que para torcer não precisa do requisito "entender de finanças ou de gestão", mas para viver em sociedade há um requisito (desrespeitado no Brasil) de "não ser leviano". A leviandade nas afirmativas de parte da torcida está no fato de que o Fluminense vendeu apenas 1 jogador na janela de transferência (Richarlison) e não contratou porque simplesmente não há dinheiro no clube e Abad recebeu um clube com déficit de 75 milhões para 2017.

Assim que assumiu, a gestão Pedro Abad contratou uma das maiores consultorias do mundo, a Ernst & Young, para analisar o clube e propor ações para melhorar a governança. Isso é profissionalismo desde que se siga o que foi recomendado. Além da EY, o Itau-BBA fez uma análise financeira dos clubes e verificou que a situação do clube é pra lá de preocupante (veja AQUI). 

O clube viveu, dentro de campo, grandes momentos com a UNIMED contratando grandes jogadores como Deco, Fred, Sóbis, Thiago Neves, etc. Mas tudo isso teve seu preço. Além de obrigar o Fluminense a pagar parte dos salários (de 20% a 80%), a UNIMED ao sair, fez com que o Fluminense passasse a pagar a totalidade dos salários de jogadores como Fred, por exemplo. Sem receitas de bilheteria (a torcida do Fluminense sempre foi conhecida com a que só vai em final) e com o sócio Futebol claudicante, o tricolor viu seus custos explodirem e a receita recorrente estagnar ou cair. Vejam a matéria da revista Época sobre as finanças do Flu clicando AQUI.

Além disso, a dupla Peter Siemsen e Mario Bittencourt fez explodir a folha salarial do clube com contratações no mínimo duvidosas como Renaldinho Gaucho, Wellington Paulista, Osvaldo, Giovane, etc. Se já tinha incorporado os salários astronômicos que eram pagos pela UNIMED, ainda contratou mal e elevou o custo do clube sem aumentar as receitas. É preciso também colocar na balança o aumento na dívida do clube de 320 milhões entre 2004 e 2014. Veja AQUI)

Conclusão do Itaú-BBA sobre as finanças do Fluminense
Nesse cenário, Pedro Abad recebeu um clube falimentar, sem dinheiro, sem receita, sem um time estelar e com 75 milhões de déficit no caixa para 2017. O que fazer? Em primeiro lugar, seguir as remondações da EY, ou seja, profissionalizar o clube. Ao mesmo tempo, cortar custos e isso esta sendo feito. O Flu negociou cerca de 30 atletas e gerou uma redução de mais de 18 milhões na folha salarial (AQUI). 
Renegociar dívidas bancárias. O Fluminense fez isso, alongou os prazos de suas dívidas de curto prazo com condições melhores para o clube. 
Vender jogadores. O Flu vendeu apenas 1 jogador, Richarlison, para o Watford. Houve proposta ou sondagem por vários outros atletas (leo, calazans, Wendel, Douglas, Scarpa, Orejuela, Dourado, etc) mas, sem um valor que agradasse ao clube, não foram vendidos.

Se é verdade que não houve grandes contratações, é verdade também que o clube está sendo gerido de forma responsável. E depois de anos de gastança, temos um longo caminho pela frente. A lamentar o fato de ter contratado um técnico desatulizado que não consegue dar padrão de jogo e que, se não mudar, pode levar o Fluminense para a segunda divisão e a consequente desvalorização de ativos do clube (jogadores da base). 

Com tudo isso, pedir a saída de Pedro Abad é abrir mão do futuro em nome do imediatismo. O Flamengo fez o dever de casa em 2013, 2014. O Fluminense, com muito menos capacidade de arrecadar, faz agora.

Em sua casa você gasta mais do que recebe?